03 Julho 2009

A Cápsula do Tempo # 18 - FINAL

Leia os capítulos anteriores ... Algumas ondas depois, os amigos saíram do mar e sentados na areia, olhando o entardecer como naquela tarde há 30 anos quando enterraram a cápsula do tempo, começaram uma longa conversa que acabou se estendendo noite adentro ao redor de uma pequena fogueira improvisada. Horas depois, quando uma enorme lua alaranjada começava a se erguer no horizonte, Mike se levantou e como já havia explicado aos amigos, para a segurança dessa sua nova vida, seus encontros teriam que ser, pelo menos a princípio, sempre ali, durante os finais de tarde nas esquerdas da Fazendinha. Depois de um longo abraço, Mike pegou seu pranchão, entrou no mar e saiu remando em direção ao costão do lado esquerdo da praia, desaparecendo logo a seguir em meio à escuridão da noite. Não fosse a longa conversa e os fortes abraços que receberam do amigo, Kadu e Vavá poderiam achar que algo sobrenatural estava acontecendo, porém, aquilo tudo era real e a partir daquela noite, os três amigos iriam estar mais unidos do que nunca e agora com um novo pacto, transformar em realidade aquele sonho de infância guardado na cápsula do tempo. Essa idéia, esse modelo de espaço educativo/cultural utilizando o surf como ferramenta de cidadania e difusão artística, que meses depois viria a se materializar na Fundação de Arte e Cultura Surf de Wavetoon (FACS Wavetoon) acabaria se tornando o projeto pioneiro de outras tantas "FACS" que viriam a se espalhar pelos quatro cantos do mundo. Mais isso já é outra história... FIM
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28 Junho 2009

A Cápsula do Tempo # 17

leia os capítulos anteriores... Após a leitura da carta, quase que uma profecia, a caixa foi fechada e a "Cápsula" guardada dentro de uma mochila. Kadu e Vavá então pegaram suas pranchas entraram no mar e saíram remando, lado a lado, rumo àquela onda tão especial que na infância costumavam chamar de "quintal de casa". Na medida em que iam passando pelas ondas, puderam perceber que havia uma pessoa sentada num pranchão no outside e qual não foi a surpresa dos dois amigos, que ao chegarem ainda mais perto, o cara do longboard era ninguém menos que o Mike. "Não é possível!" disse Kadu. "Será que é um espírito?" disse Vavá. "Sou eu mesmo!" disse Mike e completou: "Sabia que vocês viriam desenterrar a "Cápsula", só que o combinado era fazermos isso depois do surf, ainda bem que você resolveram cair na água!". Em seguida os três soltaram as pranchas e emocionados se abraçaram ali mesmo no meio do mar. "Achamos que você tinha morrido!" disse Kadu. "Na verdade, esse Mike aqui que vocês conhecem, estava morrendo dentro daquele outro que morreu, a única forma que encontrei para conseguir me libertar totalmente era acabar de vez com ele, sei que pode parecer uma loucura, mais prometo que vou explicar tudo pra vocês!" disse Mike. CONTINUA...
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20 Junho 2009

A Cápsula do Tempo # 16

leia os capítulos anteriores "...Não sei como será o mundo daqui a 30 anos, nem sei se estarei vivo pra ver, porém, tenho certeza que o mar e as ondas ainda estarão lá, prontos para ensinar a outros jovens como nós quais são os verdadeiros valores dessa vida: a saúde, a simplicidade, a paz de espírito, as verdadeiras amizades, o amor e o respeito pela natureza e por todos os seres vivos sem distinção de cultura, raça, cor, sexo, idade ou religião. Quem sabe até lá, surfistas como nós, possam ser vistos com outros olhos pela sociedade em geral, como atletas, como profissionais do esporte, ou pelo menos como adeptos de uma filosofia de vida alternativa, saudável e positiva. Quem sabe não possa surgir, talvez da união de surfistas mais antigos e famosos, talvez com o apoio de seus patrocinadores e porque não até mesmo do próprio governo, uma espécie de escola de surf, mais que seja diferente dessas que só ensinam a ficar em pé na prancha, um lugar diferente, especial, uma escola onde as pessoas possam aprender desde como surgem as ondas, como é feita uma prancha, até orientações para uma boa alimentação, lições sobre ecologia, sobre primeiros socorros, um lugar onde possa existir um intercâmbio entre surfistas do mundo inteiro, unindo arte, cultura, música e tudo mais que está presente no universo surf..." CONTINUA..
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14 Junho 2009

Segunda-Feira maneira

A Cápsula do Tempo # 15

leia os capítulos anteriores... Alguns dias depois, enquanto Kadu corrigia algumas provas e Vavá terminava de lixar um remendo na rabeta de sua prancha, a campainha tocou e, para surpresa dos dois, era um oficial de justiça informando que Mike havia deixado um testamento doando quase a totalidade de sua fortuna para os amigos. Os dois, numa mescla de tristeza e felicidade, se abraçaram e decidiram, em homenagem ao amigo, ir até a velha mangueira desenterrar a Cápsula do Tempo. Horas mais tarde, lá estavam eles sentados na areia como há trinta anos, só que agora olhando para a Cápsula como se fosse uma janela para o passado. A caixa de madeira continuava lacrada e graças a um saco plástico que a envolvia permaneceu intocada pelo tempo. Ao abrir, a primeira coisa que viram foi a foto Polaroid que os três haviam tirado naquele dia. Kadu não agüentou a emoção e começou a chorar. Aquela foto o fez lembrar não só do Mike, mas de seu Pai e seu Tio, que também já haviam morrido. Vavá deu um forte abraço no amigo e com sua simplicidade caiçara disse uma das maiores verdades, pelo menos para nós surfistas: "Pra que ganhar tanto dinheiro, se o que sempre sonhamos foi estar na praia surfando com os amigos?". Além da foto e alguns outros objetos que os fizeram viajar no tempo, havia uma carta escrita por Mike que dizia: CONTINUA...
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05 Junho 2009

A Cápsula do Tempo # 14

leia os capítulos anteriores... O sol já estava baixando no horizonte quando Kadu pegou uma barra de parafina e, brincando como o amigo costumava fazer nos velhos tempos, jogou-a em sua direção e, em tom de brincadeira, imitando o jeito de falar de Vavá, lançou um "Se prepara muleque! Hoje vou te escovar na bateria!". Os dois foram andando pela praia lembrando histórias da infância, dando risada, porém uma sensação estranha sempre vinha à tona quando falavam de Mike. A esquerda da Fazendinha estava pequena, mas, como não havia quase vento, o mar estava totalmente glassy parecendo uma piscina de ondas. Depois de pouco mais de duas horas de bateria, com céu já escuro e as primeiras estrelas despontando no horizonte, enquanto voltavam para casa os amigos puderam observar um enorme clarão no céu próximo ao Pontão dos Rastas. Mais tarde, enquanto na cozinha Kadu preparava sua especialidade culinária (macarrão com salsicha) e Vavá na varanda fazia sua demoradíssima série de alongamentos, aquela conhecida musiquinha na TV anunciava alguma tragédia: “... os bombeiros informaram que o jovem empresário dono da MichaelSoft não conseguiu sobreviver à explosão de seu helicóptero nas proximidades da ilha de Wavetoon ..." Imediatamente os dois pararam o que estavam fazendo, pegaram a Kombi do Kadu e foram correndo para o local do acidente. No entanto chegando lá o que encontraram foram apenas destroços e fogo para todo o lado. CONTINUA...
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29 Maio 2009

A Cápsula do Tempo # 13

leia os capítulos anteriores... Por diversas vezes em sua vida, Kadu pode comprovar toda a verdade existente numa das frases que seu Pai, com toda a simplicidade que lhe era característica, costumava dizer: "Coincidência é uma das formas que Deus tem para realizar coisas e se manter anônimo". E com Kadu não foi diferente, ele jamais imaginaria reencontrar com Vavá naquele instante. Depois de um longo abraço, Vavá tirou do bolso a oxidada pranchinha de prata, que dias atrás quase havia perdido, mas que serviu de impulso para sua volta a Wavetoon e disse: "Você lembra, Kadu?". Emocionado e ainda custando a acreditar no que estava acontecendo, Kadu contou sobre o episódio da gravidez, sobre o antigo álbum de fotos e disse que estava lá atraído exatamente pelo mesmo motivo. Depois de imperceptíveis horas de conversa, sentados como nos tempos de criança sob a generosa sombra da velha mangueira, Kadu convidou Vavá para almoçar e conhecer a casa que sempre disse que construiria, sob as ruínas do antigo observatório da marinha, que ficava em cima das pedras, bem em frente à melhor das bancadas de São Sete. Durante o almoço, Vavá pode detalhar tudo o que havia lhe acontecido desde que deixara Wavetoon, bem como contou ao amigo sobre seu desejo de compartilhar com os mais jovens sua experiência de vida, mostrando que o caminho das drogas não leva a nada. CONTINUA...
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22 Maio 2009

A Cápsula do Tempo # 12

LEIA OS CAPITULOS ANTERIORES... Mesmo sem a gravidez Kadu insistiu no encontro. Queria conversar e saber se realmente estava tudo bem, porém com a desculpa de outro compromisso ela disse que não teria tempo. Como não tinha nenhum outro compromisso naquela manhã e diante das lembranças que acabaram vindo à tona junto com aquele antigo álbum de fotos, Kadu resolveu então dar uma caminhada até a mangueira onde estava enterrada a cápsula do tempo. Saiu de sua casa em São Sete Beach, cortou caminho pela trilha da Praia do Canto e quando chegou na ponta esquerda da Fazendinha, seu pico preferido na infância, lá estava a velha árvore, praticamente intocada e, mesmo depois de quase 30 anos, continuava majestosa como sempre, bem em frente ao pico e ao lado da antiga cabana do velho Túlio Colassanti, o Tuco, um dos pioneiros, lenda viva de Wavetoon e que ajudou muito Kadu depois da morte de seu pai, passando a ele toda sua experiência de vida, uma vez que também havia sofrido imensamente com a morte de seu melhor amigo Lobo numa situação parecida quando ambos tentavam surfar Mustang’s em 1966. A união de todas essas lembranças e o stress pelo qual havia passado na noite anterior foram demais para Kadu que sentou na areia e começou a chorar. De repente, sentiu uma mão em seu ombro e ao virar para ver quem era imediatamente suas lágrimas foram substituídas por um enorme sorriso. CONTINUA...
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18 Maio 2009

Segunda-Feira maneira


"Você nunca vai saber antes de conhecer"
Dean La Tourrette - surfista

15 Maio 2009

A Cápsula do Tempo # 11

Leia os capítulos anteriores... Aquela noite pareceu interminável, passado e futuro se acotovelavam na mente de Kadu não o deixando dormir. Lembranças de seus amigos de infância disputavam espaço com a perspectiva de ser Pai, uma enorme vontade de reencontrar Mike e Vavá, o inconformismo acerca do que estava acontecendo... Tudo isto alternava lugar em seus pensamentos. Quase seis da manhã, depois de muito virar na cama, um pequeno cochilo, talvez uma hora, talvez menos, Kadu resolveu levantar, pegar sua prancha e ir ao encontro do mar, local que para ele sempre foi sagrado e de onde muitas vezes acabou tirando soluções para seus problemas. Caminhando descalço sobre a areia ainda fria da manhã, lembrou-se da cápsula do tempo e do pacto feito com seus amigos, ficou imaginando se estariam casados, se já teriam filhos e, enquanto remava em direção ao horizonte, onde diversas nuvens iluminadas em tons de cinza, laranja e rosa anunciavam o nascer de mais um dia, começou a pensar em como seria ter um filho, ou uma filha, como conseguiria passar a eles valores como saber apreciar o nascer do sol com toda a paz e inspiração que ele proporciona, em qual seria a sua emoção ao ver a reação de um filho conhecendo o mar pela primeira vez, o primeiro mergulho, a primeira onda surfada. Algumas ondas depois, olhou para o relógio e viu que já estava na hora de voltar para casa, o dia já havia nascido e ele tinha que tomar um banho e ir se encontrar com a Mãe de seu futuro filho. Fez uma oração, pediu a Deus que o melhor acontecesse e minutos depois, já em casa, quando ia entrar no chuveiro, o telefone tocou e era ela, quase chorando, pedido desculpas e contando que acabara de ficar menstruada. CONTINUA...
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A Cápsula do Tempo # 10

Leia os capítulos anteriores... Foi num desses momentos de contemplação, apreciando o sol se pondo de sua varanda, que um telefonema fez Kadu repensar o curso de sua vida, acabando por ser surpreendido com uma lembrança do passado. No telefone, uma ex-aluna com a qual teve um rápido romance; ela, 20 anos mais jovem, corpo malhado, loira, queimada de sol, explodindo sensualidade em meio aos marmanjos que normalmente compunham suas classes de física; ele, um homem mais experiente, professor renomado e além de tudo surfista com inúmeras viagens internacionais; foram tardes quentes e noites intermináveis, porém enormes diferenças logo surgiram e a separação se tornou inevitável. Agora, após quatro meses separados, a notícia de uma provável gravidez, a menstruação sempre regulada atrasada, o medo de contar para família, a dúvida sobre fazer ou não um aborto, essas e outras tantas inseguranças de uma jovem inexperiente foram transmitidas naquela ligação, terminando com palavras de apoio e um encontro marcado para o dia seguinte, aonde juntos iriam até um laboratório fazer exames. Kadu desligou o telefone e ficou durante um bom tempo como que num transe, paralisado, provavelmente tentando assimilar tudo. Em seguida, como já era tarde da noite, resolveu procurar na estante algo para ler no intuito de se distrair um pouco e tentar conseguir dormir, só que derrubando um antigo álbum de fotos, eis que, para sua surpresa, ele se abriu justamente na página com a foto do dia de sua formatura da 5ª série, com os três amigos abraçados segurando o diploma e a pranchinha de prata, presente dos pais do Vavá.
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A Cápsula do Tempo # 9

LEIA OS CAPITULOS ANTERIORES...Professor Carlos Eduardo Dulong, parece até nome de rua (talvez até um dia venha a ser), mas por trás do imponente nome do professor titular da cadeira de física quântica da Universidade de Wavetoon está ninguém menos que o kadu, o único dos três amigos que, embora tenha viajado mundo afora, continuou vivendo em Wavetoon e hoje, além de professor universitário, tornou-se uma espécie de embaixador da ilha, tudo isso graças não só ao seu empenho pessoal, mas aos ensinamentos de seu Pai, o lendário big rider Jonas Dulong, que embora fosse um cara de pouco estudo, tinha muita sabedoria de vida e durante o tempo em que conviveu com o filho soube com sua simplicidade passar valores como a importância do estudo e da leitura, que ajudou muito Kadu a trilhar sua carreira acadêmica; a humildade e o respeito para com o próximo, que o fez entender que ensinar é lembrar aos outros que eles também sabem; a busca pelo equilíbrio e pela paz interior, valores que nos momentos de stress o fizeram refletir acerca de qual o melhor caminho a seguir e, por fim, mas não menos importante, a correta valorização de certas coisas como a própria condição de estar vivo e com saúde, de poder contemplar o nascer e o por do sol, ouvir o cantar dos pássaros, o sorriso de uma criança e tantas outras coisas que não custam nada, mas infelizmente passam despercebidas por tanta gente. CONTINUA...
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27 Abril 2009

Ajude a acabar com este pesadelo!


O Estado do Rio Grande do Sul detém um marca inadmissível: Morrem mais pessoas vítimas de redes ilegais de pesca do que com ataques de tubarões na África.
Desde 1983, em nosso Estado, 48 famílias foram rasgadas em dor e sofrimento com a perda de entes queridos, e até hoje ninguém, absolutamente ninguém foi responsabilizados por estes crimes.
Nestes anos, muito se evoluiu, foram campanhas educativas, comissões na Assembléia Legislativa, repercussão na mídia, programas de governo, luta de abnegados, até se chegar à criação de Leis que delimitam e sinalizam as áreas de surf e de pesca.
Apesar disso, estamos longe, muito longe de termos tranqüilidade com esta situação, nos falta à sinalização e demarcações de muitas áreas, fiscalização efetiva, conscientização de todos os segmentos e punição dos culpados.
O Blog SURFSEGURO busca a continuidade desta luta, pela centralização das ações, por uma representatividade efetiva para os surfistas e familiares, pela visibilidade, pela pressão aos órgãos competentes e, sobretudo pelo fim das tragédias em armadilhas humanas nos nossos mares.
Esta idéia busca a conscientização e participação de todos os surfistas, familiares, comunidade em geral, entidades e todos os segmentos do surf para se engajarem nesta luta.
O SURF SEGURO acredita que através da organização das pessoas que tenham comprometimento apenas com seus valores éticos e morais é que se pode buscar uma sociedade mais fraterna, justa e perfeita.
Seremos uma idéia de luta, construída e sedimentada na indignação e na dor das tragédias ocorridas, mas, sobretudo teremos o olhar firme para o futuro, sabemos que com ações concretas poderemos construir um futuro mais seguro para as próximas gerações de surfistas.
Por tudo isso, precisamos do apoio, da participação, carregue esta bandeira, lute organizadamente conosco, façamos que a união de esforços consciente alcance os objetivos que todos esperam.
Pelo fim das mortes de surfistas em rede de pesca, pela preservação das nossas praias e espécies, pela conservação do meio ambiente!

SURF SEGURO DEPENDE DE NÓS, PARTICIPE!!!

24 Abril 2009

A Cápsula do Tempo # 8

LEIA OS CAPITULOS ANTERIORES... Vavá conheceu o inferno de perto, mas nunca perdeu sua fé nem seu amor pelo mar. Talvez por isso tenha conseguido se recuperar e esteja tentando, apesar das dificuldades, voltar a ter uma vida digna. Foi assim que, naquela tarde, depois de uma curta sessão de surf para relaxar após um duro dia trabalho, ao sair da água notou que lhe faltava alguma coisa: seu cordão não estava no pescoço. Rapidamente jogou a prancha na areia e correu de volta para o mar tentando encontrá-lo. No entanto, após diversos mergulhos, acabou desistindo e, quando voltou para a areia, notou um garoto sentado a poucos metros dali observando tudo e, para sua surpresa, com um sorriso tímido o pequeno aproximou-se e perguntou com o cordão nas mãos se era aquilo que ele procurava. Vavá agradeceu e disse que sim e em seguida, após devolver o cordão com a pranchinha, o menino perguntou se era muito difícil aprender a surfar. Vavá respondeu que não e que um dia poderia lhe ensinar, o que fez brotar um enorme sorriso no rosto do pequeno. O menino se foi e Vavá resolveu ficar mais um pouco, sentou-se na areia e com o sol se pondo, com o barulho das ondas, olhou como há muito não olhava para aquela pranchinha de prata, lembrando de inúmeras tardes como aquela ao lado de seus amigos em Wavetoon e do pacto feito no dia em que enterraram a "Cápsula do Tempo". CONTINUA...
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17 Abril 2009

A Cápsula do Tempo - # 07

LEIA OS CAPITULOS ANTERIORES... Para Vavá, o caminho foi outro. Embora tivesse um enorme talento para o surf, estando sempre à frente do seu tempo com manobras revolucionárias para época como aéreos, tail slides e floaters 360º, infelizmente largou a escola muito cedo e, embora fosse um cara extremamente bom e honesto, talvez por ingenuidade, ignorância, talvez por acreditar em quem não devesse, acabou entrando de uma forma perigosa no mundo das drogas, resultando em longos anos atrás das grades por ter sido usado como laranja de um suposto amigo que na verdade era um traficante procurado pela justiça. Hoje, recuperado do vício e em liberdade, leva uma vida simples trabalhando numa traineira de pesca em uma cidade próxima a Wavetoon. De sua juventude, lhe restaram apenas alguns recortes de jornal de quando era uma jovem promessa do surf, algumas fotos, uns poucos troféus e um cordão de couro preto com sua pranchinha de prata pendurada, que desde a formatura nunca mais tirara do pescoço, como que querendo ter sempre por perto uma recordação da época em que tinha um bom relacionamento com seus pais e amigos, época em que vivia em Wavetoon, antes de seu envolvimento com as drogas, o qual tornou inviável o convívio com seus pais, muito religiosos e humildes, culminando com sua saída de casa e logo em seguida o episódio de sua prisão. CONTINUA...
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13 Abril 2009

09 Abril 2009

A Cápsula do Tempo - # 06

Leia os capítulos anteriores... Por uma dessas inexplicáveis coincidências do destino, que para alguns é uma das maneiras que Deus usa para se manifestar, a mulher do Mike colocou em cima do bilhete, provavelmente pensando em não deixar que ele voasse, o molho de chaves da casa de praia em Wavetoon recém adquirida e ainda não visitada pelo casal. Mike com a carta em uma das mãos e as chaves na outra, não se conteve e começou a chorar lembrando-se das inúmeras promessas que fizera a mulher. Porém sem nunca cumprir. Em seguida ao olhar para as chaves, notou que estavam presas a um chaveiro de prata em forma de prancha, de um lado escrito em letras grandes Wavetoon e do outro, em números pequenos duas datas 14/03/1978 - 14/03/2008 e mais as letras V/M/K, a emoção foi tanta que fez com que ele sentasse ali mesmo no chão, aquela pranchinha de prata foi dada pelos pais do Vavá, uma para cada um dos três amigos em sua formatura da 5ª série, as datas foram eles que mandaram gravar, correspondiam aos 30 anos do pacto feito aos pés da velha mangueira e as letras eram as iniciais dos três, Vavá, Mike e Kadu. Olhou para o relógio e um arrepio lhe desceu a espinha ao ver que faltavam apenas duas semanas para o final do verão, ou seja, 7 dias até a data combinada para a abertura da "Cápsula do Tempo". CONTINUA...
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